14/11/2008
A fotografia
um pedaço de papel, rectangular, aí de uns 10 x 15... uma fotografia a preto e branco, ainda com o cheio a mofo da caixa de sapatos branca amarelecida da avó... a última recordação que ela tinha do filho: uma velha fotografia de um homem de uniforme, o filho perdido na guerra, num qualquer ultramar, nem se sabe muito bem qual. O preto e branco foge ja ao sépia. Os rebordos, ondulados, amarelos, outrora brancos, têm ainda as dedadas de lágrimas da avó, fossilizadas na poeira dos tempos. O canto superior direito tem, ainda, os vincos da dobra que a prima fez quando tinha ainda três anos quando fugiu para o quintal com a Bíblia da avó. O filho da avó, esse, continuava a tentar explicar com o olhar o seu desaparecimento. Enigmático, sonhador, procura só a paz. Mas naquele aparador com cheiro a bolas de naftalina usada só conseguiu assistir a muitas guerras.
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